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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uma em cada cinco crianças que navegam na internet são alvo de pedófilos

O secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações, Hamadoun Touré, afirmou que uma em cada cinco crianças que navegam pela internet é alvo de pedófilos anualmente. "Além disso, três de cada quatro crianças estão dispostas a compartilhar on-line informação pessoal sobre eles mesmos e sua família, em troca de bens e serviços". O comunicado divulgado nesta sexta por ocasião da celebração do Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação, no próximo dia 18.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que "o mundo virtual oferece excitantes possibilidades para educar a infância e ajudar as crianças a se tornarem seres adultos criativos e produtivos. Porém, temos que ficar atentos aos perigos que podem deixar cicatrizes indeléveis em suas vidas". Para acabar com essa ameaça, Touré defendeu a criação "de uma rede mundial que proteja as crianças na internet, aplicando legislações nacionais, aumentando a sensibilização do público e melhorando a capacidade de reação dos países em matéria de informática".

Além disso, o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação procura "sensibilizar a população sobre o potencial das Tecnologias de Informação e Comunicação em matéria de desenvolvimento e de economia, assim como sobre o papel de internet como recurso mundial", detalhou o responsável da UIT. Com mais de 600 milhões de usuários na Ásia, 130 milhões na América Latina e no Caribe e 50 milhões na África, Ban Ki-moon assegurou que "a internet se transformou em um meio de comunicação em constante expansão".

Uso do Enem como seleção para universidade gera estresse no aluno, diz educador

Essa semana meu foco é a educação como você pode perceber. São tantos os desafios ainda, da escola fundamental à universidade. Hoje o assunto é o vestibular, alegria e tormento de pais e estudantes e que agora deve passar por uma reformulação.

A mudança imediata do vestibular tradicional pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a entrada na universidade está gerando estresse em alunos que, durante sua vida escolar, foram preparados para a seleção nos moldes atuais. A avaliação foi feita pelo idealizador e coordenador do Guia Enem, Carlos Piatto, durante o 16º Congresso Internacional de Educação, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Segundo ele, o uso do Enem como prova de seleção para o ensino superior é uma tendência, já que isso consta dos documentos do projeto, mas ainda há necessidade de alterações. O Enem, como está planejado, não é suficiente para selecionar o aluno que entrará ou não na universidade, por isso a proposta de mudança e o aumento do número de questões são importantes. “Você não consegue comparar a nota de um Enem com os anos anteriores, então não dá para ver se o aluno que fez duas provas diferentes teve nota melhor ou pior porque as provas foram diferentes.

Piatto acredita que muitas das instituições utilizarão o Enem como primeira fase de seu processo seletivo para depois, na segunda etapa, realizar de fato a seletividade necessária em alguns cursos. Ele cita instituições que têm candidatos extremamente capacitados, para os quais a prova do Enem não seria suficiente em sua seleção, como é o caso do ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica.


Na avaliação de Piatto, quem está preparado para o vestibular também está preparado para o Enem, mas o grande problema é que o aluno é condicionado a pensar de uma determinada maneira, porque pensa nas matérias de forma separada e procura resolver primeiro os exercícios das disciplinas de que mais gosta ou que sabe melhor.

E ainda temos um grande desafio, lembra o educador: a principal competência do exame é a leitura e a interpretação. “Esse aluno tem sérias dificuldades na sua formação, que o afetam. É um problema a ser trabalhado constantemente. O desenvolvimento dessa competência leitora é função de todos todos os professores, não só dos de língua portuguesa”.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Brasil concentra mais de um terço dos analfabetos da América Latina

Dados da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade) indicam que em todo o mundo vivem 800 milhões de adultos não alfabetizados. Desse total, 35 milhões estão em nações latino-americanas. A Clade é uma rede de organizações da sociedade civil que atua em defesa do direito ao ensino público gratuito e de qualidade.

O Brasil, o mais populoso da região, concentra mais de um terço da população analfabeta da América Latina, 14 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007 do IBGE.

Segundo o levantantamento da Clade, divulgado em 2007, no grupo de países da América Latina e do Caribe, Cuba apresenta a menor taxa de analfabetismo: o problema atinge 0,2% da população. A Guatemala tem os piores indicadores, são 30,9% das pessoas com mais de 15 anos. Nesse ranking, o Brasil ocupa a 14ª posição, em um total de 19 países. De acordo com dados da Clade, com um percentual de 11,4% de analfabetos entre a população com mais de 15 anos de idade, a média brasileira fica atrás, por exemplo, dos índices do México (9,10%), Equador (9%), Panamá (8,10%) e da Colômbia (7%).

Segundo a Pesquisa Nacional, o índice de analfabetismo entre os brasileiros com mais de 15 anos é de 10%. Para o educador peruano e consultor internacional José Rivero, uma das explicações para a persistência do problema, tanto na América Latina quanto no Brasil, são as grandes desigualdades sociais da região. Segundo ele, é papel do Estado e da sociedade civil.

Recentemente, os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, declararam que os dois países estão livres do analfabetismo. Para isso, utilizaram a metodologia do programa cubano de alfabetização criado pelo governo de Fidel Castro. O método usa programas de rádio e de televisão para alfabetizar jovens e adultos.

O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Educação, Vernor Muñoz, cita as ações da Venezuela e da Bolívia como “exemplos de opções concretas”. Para ele, o Brasil tem um “compromisso enorme”, mas as conquistas ainda não refletem esse esforço.

Mesmo havendo uma diferença nos números apresentados pela Clade e pelo IBGE, 11,4% ou 10% ainda é muito alto para o Brasil. Não é possível acreditar que o país esteja tão abaixo de Argentina, além de Chile, Venezuela e México. Sem investimentos e projetos na educação pública, começando pelo ensino fundamental, vamos continuar nos envergonhando dos números sobre analfabetismo no Brasil.

Taxas de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais:
1. Cuba: 0,2%
2. Uruguai: 1,9%
3. Aruba: 2,7%
4. Argentina: 2,8%
5. Chile: 4,3%
6. Costa Rica: 5,1%
7. Venezuela: 7,0%
8. Colômbia: 7,2%
9. Panamá: 8,1%
10. Equador 9,0%
11. México: 9,1%
12. Paraguai: 9,8%
13. Suriname: 10,4%
14. Brasil: 11,4%
15. Peru: 12,3%
16. Bolívia: 13,3%
17. Honduras: 20,0%
18. Nicarágua: 23,3%
19. Guatemala: 30,9%

terça-feira, 12 de maio de 2009

USP realizará vestibular inédito para a sua 1ª graduação à distância

A Universidade de São Paulo irá realizar um vestibular inédito para seu primeiro curso de graduação à distância. Serão oferecidas 360 vagas em licenciatura em ciências, que funcionará em quatro pólos. A previsão é de que as inscrições para o processo seletivo sejam abertas ainda em julho e a prova aconteça no dia 2 de agosto. O início das aulas está programado para o dia 21 de setembro.

A graduação funcionará nos campi do Butantã, na capital, em São Carlos, em Piracicaba e em Ribeirão Preto, com 90 vagas cada. Metade das aulas será presencial e os alunos terão de ir ao campus. A duração do curso será de quatro anos, divididos em oito semestres.

O curso é voltado, essencialmente, para a qualificação de professores que atuam na educação básica sem formação adequada. Estimativas apontam déficit de cerca de 200 mil professores em ciências no país. Até por isso, a expectativa é de que a procura maior seja de pessoas mais maduras e que já estejam no mercado de trabalho.

Segundo o coordenaror do novo curso, professor José Cipolla Neto, “há uma grande demanda para essas áreas e a educação à distância pode ser uma solução, porque o profissional pode mais facilmente conciliar a graduação com a sua rotina.

As aulas acontecerão uma única vez por semana, aos sábados, com foco na parte laboratorial. Tutores e educadores acompanharão os alunos na sala de aula. Durante a semana, o aluno terá atividades para realizar por meio do portal de internet que será disponibilizado.

A seleção, que será feita pela Fuvest, terá uma única fase. A prova será composta por 50 questões de múltipla escolha e uma redação. Como a proposta é qualificar docentes, professores em exercício sem formação superior receberão um bônus de 10% na nota final da prova. Docentes em exercício com curso superior, mas sem qualificação para a área terão uma bonificação de 8% na nota.

O valor da taxa de inscrição será de R$ 30. O curso faz parte da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, programa proposto pelo governo estadual. A USP avalia ainda a possibilidade de oferecer outros cursos, além do de licenciatura em ciências: pedagogia, licenciatura em matemática e licenciatura em biologia.

Conheça os vereadores acusados de campanha irregular em SP

O Ministério Público Eleitoral acusa 28 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo de terem sido beneficiados com doações da Associação Imobiliária Brasileira (AIB) nas eleições de 2008. Ainda há investigação das contas de 19 vereadores e do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Em relação aos 28 vereadores, o entendimento do Ministério Público é de que eles deveriam saber ou se informar sobre a legalidade dos repasses feitos pela entidade. "Eles não têm como alegar que não sabiam da origem dos recursos", disse o promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes.

Os parlamentares condenados podem ficar inelegíveis por 4 anos e até ter os mandatos cassados. Segundo o presidente da AIB, o critério de escolha dos beneficiados com as contribuições seguiu interesses do setor imobiliário. "Privilegiamos quem historicamente conhece o assunto", disse Sérgio Ferrador, presidente da AIB.

Veja a lista de vereadores, dos mais diversos partidos, investigados por irregularidades em campanha eleitoral:

Abou Anni (PV)

Adilson Amadeu (PTB)

Antonio Carlos Rodrigues (PR)

Adolfo Quintas (PSDB)

Arselino Tatto (PT)

Floriano Pesaro (PSDB)

Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB)

Carlos Apolinario (DEM)

Claudinho (PSDB)

Dalton Silvano (PSDB)

Domingos Dissei (DEM)

Eliseu Gabriel (PSB)

Gilson Barreto (PSDB)

Ítalo Cardoso (PT)

Jooji Hato (PMDB)

José Américo (PT)

José Police Neto (PSDB)

Juliana Cardoso (PT)

Mara Gabrilli (PSDB)

Marta Costa (DEM)

Natalini (PSDB)

Noemi Nonato (PSB)

Paulo Frange (PTB)

Quito Formiga (PR)

Ricardo Teixeira (PSDB)

Toninho Paiva (PR)

Ushitaro Kamia (DEM)


Wadih Mutran (PP)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Educação: "é possível melhorar com as condições existentes"

Municípios que adotaram programas de gestão e acompanhamento escolar tiveram crescimento muito acima da média nacional na taxa de aprovação e na melhoria do número de alunos que estão na série em que deveriam estar, chamada distorção idade-série. Essas redes apresentaram também uma queda bem maior do que o resto do País nos índices de reprovação e evasão escolar.

Em seis anos, 947 cidades aplicaram o programa desenvolvido pelo Instituto Ayrton Senna em suas escolas - quase 20% dos municípios do País. Os dados aparecem em pesquisa do economista Ricardo Paes de Barros, realizada pela equipe do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade. Foram avaliados alunos de 1ª a 4ª série das redes públicas que adotaram os programas no período de 1999 a 2005, com base em informações do Censo Escolar e da Prova Brasil, aplicada pelo Ministério da Educação.

"O resultado obtido numa amostra desse tamanho aponta que é possível mudar a velocidade e a intensidade do aprendizado nas condições existentes", diz a presidente do instituto, Viviane Senna. "Não tem ingresso de mais recursos nem aumento no número de professores com formação universitária ou de horas de aula nem mudança socioeconômica dos alunos. Não quer dizer que esses não sejam elementos importantes, mas temos de trabalhar com a realidade", diz ela.

Todos os programas do instituto têm metas de desempenho e indicadores a serem perseguidos pela rede, que não pagam para aderir às propostas. Elas devem se comprometer a cumprir os 200 dias letivos, reduzir faltas de professores e alunos e seguir o modelo proposto - que inclui monitoramento da quantidade de livros lidos por aluno. Esses dados foram comparados com os apresentados pelo País no mesmo período e por municípios de características observáveis similares. Nos dois modelos de comparação, as 947 redes que aplicaram os programas tiveram avanços maiores em todos os itens analisados.

"É muito interessante conhecer o impacto desses programas nas redes e observar melhor a metodologia usada para descobrir o diferencial da proposta", diz Maria Auxiliadora Seabra Rezende, presidente do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed). "Ainda mais levando em conta que o instituto não trabalha com os melhores alunos.

"O ponto central dos programas é a gestão da rede. Uma vez que uma secretaria se compromete a participar, professores e alunos recebem material específico, com detalhes sobre o que deve ser ensinado e cobrado como lição de casa em cada disciplina, em cada dia letivo. Não pode pular parte do livro, os 200 dias letivos precisam ser cumpridos e há reuniões semanais de professores.

Há um programa específico para corrigir a distorção idade-série, chamado "Acelera Brasil" - nele, os alunos têm, por sala, uma biblioteca com 40 livros que devem ser lidos por todos.

Outro projeto, o "Se Liga", visa a alfabetização de alunos com de dificuldade de aprendizagem. Alguns gestores veem a educação como simples oferta de sala de aula, aluno matriculado, professor contratado, material, merenda e recursos distribuídos, mas tudo sem integração, o que leva a um baixo aproveitamento desses recursos e, consequentemente, coloca em risco o sucesso do aluno.

O terceiro programa, chamado "Gestão Nota 10", propõe metodologias e práticas que toda a rede deve adotar.

Associação de imobiliárias se compromete a não fazer doações para campanhas eleitorais

Você deve se lembrar que abordei esse assunto aqui no blog. Depois da repercussão e continuidade das investigações, a ABI (Associação Imobiliária Brasileira) assina nesta segunda um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público Eleitoral se comprometendo a não fazer mais doações em dinheiro para campanhas eleitorais, candidatos ou partidos políticos.


Reportagem da Folha de São Paulo do mês passado revelou que o Secovi-SP (sindicato das imobiliárias) usou a ABI para driblar a legislação eleitoral e ocultar os verdadeiros responsáveis pelas doações feitas pelo setor. A lei proíbe doações de sindicatos.


Na semana passada, o Ministério Público Eleitoral informou que vai pedir à Justiça que rejeite as contas de campanha apresentadas pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e de 46 vereadores referentes às eleições de 2008. O promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, da 1ª Zona Eleitoral, afirma que encontrou irregularidades como doações feitas por empresas que têm ligações com concessionárias de serviços públicos e doações de associações.


De acordo com o Ministério Público Eleitoral, a principal novidade do termo de ajustamento de conduta é que em caso de descumprimento a ABI fica obrigada a pagar multa correspondente a 10 vezes o valor da infração para o fundo de reparação de interesses difusos e coletivos. Sem o termo, a multa iria para fundo partidário. Para a Promotoria, os próprios partidos se beneficiariam futuramente dessa multa.


A decisão vai ao ponto central dos mecanismos de financiamentos de campanhas eleitorais. Somente uma fiscalização rigorosa pode dar credibilidade a esse processo até que uma reforma política de conta de resolver o problema.